AUTOCURA E LIBERTAÇÃO — Porque as pessoas sofrem? Qual a causa de seus sofrimentos? (parte 1)
- Moysés Araújo - Terapeuta
- 11 de abr. de 2016
- 9 min de leitura

Sofrimentos, angústias, depressão...
REFLEXÕES
Conheci inúmeras pessoas que sofrem por causa do dinheiro e poder. Umas porque nunca tiveram, outras porque o perderam; outras porque lhes sufoca, e outras, porque os amaldiçoam…
Conheci também, pessoas que sofrem por relacionamentos. Umas porque foram traídas, outras porque traíram; outras porque foram rejeitadas, outras porque abandonaram; outras porque são solitárias, outras porque são promíscuas; outras porque são muito exigentes, e outras, porque são temerosas; outras porque não compreendem, outras porque não são compreendidas…
Conheci ainda pessoas, que sofrem porque se sentem insatisfeitas. Umas porque se acham gordas, outras porque são magras; outras porque se acham muito altas, outras porque muito baixas; outras porque são calvas, outras porque detestam seu tipo de cabelo; outras porque não gostam da cor de seus olhos, outras porque usam óculos; outras porque nasceram num corpo feminino, outras no masculino; outras porque se acham muito feias, outras porque tem partes do corpo que lhe desagrada a estética ou o tamanho…
Ainda há aquelas que sofrem por problemas de saúde mental ou física. Umas porque são depressivas, outras porque são ansiosas; outras porque são esquizofrênicas, outras porque são bipolares; outras porque desenvolveram câncer ou outra doença autoimune, outras porque “pegaram” AIDS ou outro vírus; outras porque tiveram enfarto ou AVC, outras porque tiveram cálculos renais ou na vesícula; outras porque ficaram estéreis ou impotentes, outras porque desenvolveram artrose ou reumatismo…
Umas porque temem a morte, outras porque temem a vida!
E decerto que esqueci de mencionar alguma pessoa com algum outro sofrimento…
O que essas pessoas tiveram (ou tem) em comum?
Será que de fato, “todo mundo sofre”?
Quantas pessoas conhecemos, que se enquadram em uma, ou algumas, dessas condições?
E será, quantas conhecemos que não se enquadram (ou nunca se enquadraram, e talvez nunca se enquadrem) em nenhuma dessas condições?
Será que para ser feliz é preciso não se enquadrar em nenhuma das condições elencadas, ou basta resignação, sofrer e aceitar sem lamentar?
O QUE É SOFRIMENTO
Vejamos o significado palavra Sofrimento:
“Sofrimento é qualquer experiência aversiva (não necessariamente indesejada) e sua emoção negativa correspondente. Ele é geralmente associado com dor e infelicidade, mas qualquer condição pode gerar sofrimento se ele for subjetivamente aversiva. Antônimos incluem felicidade ou prazer.”
Em uma frase como “sofrendo de uma doença” a ênfase está em ter a doença e menos no desprazer
que ela causa.
“Termos relacionados são tristeza, pesar e dor. Alguns veem a raiva como um tipo de sofrimento. Tédio, é um sofrimento causado pela falta de experimentar ou fazer coisas interessantes (física ou intelectualmente), quando se está sem ânimo de fazer qualquer coisa, vontade de não fazer nada.”
O SOFRIMENTO NA VISÃO RELIGIOSA
No sentido cristão, na Carta Apostólica Salvifici Dolores, o Papa João Paulo II, diz o seguinte:
“Tal é o sentido do sofrimento: verdadeiramente sobrenatural e, ao mesmo tempo, humano; é sobrenatural, porque se radica no mistério divino da Redenção do mundo; e é também profundamente humano, porque nele o homem se aceita a si mesmo, com a sua própria humanidade, com a própria dignidade e a própria missão.”
“[…] Cristo está presente em quem sofre, pois o seu sofrimento salvífico foi aberto de uma vez para sempre a todo o sofrimento humano. E todos os que sofrem foram chamados, de uma vez sempre, a tornarem-se participantes « dos sofrimentos de Cristo ». Assim como todos foram chamados a « completar » com o próprio sofrimento « o que falta aos sofrimentos de Cristo ». Cristo ensinou o homem a fazer bem com o sofrimento e, ao mesmo tempo, a fazer bem a quem sofre. Sob este duplo aspecto, revelou cabalmente o sentido do sofrimento.”
Segundo Buda, todos os seres buscam a felicidade e procuram se afastar do sofrimento, no entanto nessa busca de felicidade e dentro da própria felicidade encontrada, estão as sementes de sofrimentos futuros. Essa constitui a 1ª. das Quatro Nobres Verdades: A Realidade do Sofrimento (Dukkha). Buda nos ensina que é a busca pelo desejo, pelos prazeres, a origem do sofrimento e que a cessação do sofrimento se dá quando ocorre o desaparecimento sem deixar vestígios daquele mesmo desejo, ou a renúncia à ele, a libertação dele. E que o caminho para vivermos sem sofrimento é o entendimento correto, o pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta. Essas afirmações constituem-se como as Quatro Nobres Verdades.
NA CONCEITUAÇÃO PSICOLÓGICA
Cientificamente falando: Sofrimento é uma emoção motivada por qualquer condição que submeta nosso sistema nervoso ao desgaste. O sofrimento, como qualquer outra sensação, poder ser consciente ou inconsciente. Quando se manifesta de forma consciente provoca dor ou infelicidade, quando é inconsciente se traduz em esgotamento ou cansaço.
Temos ainda o Amor-Patológico que incide na maioria dos relacionamentos causando sofrimentos avassaladores na mole humana. Freud definiu amor como um conjunto de processos mentais internos que dirigem a libido do indivíduo para um objeto (parceiro), com objetivo de alcançar satisfação (FREUD, 1974). Para ele, a sexualidade seria a base de todas as manifestações do amor, fato que é motivo de crítica por parte de alguns autores. Jacques Lacan (1985) baseia-se no amor grego (Eros) para articular o par amante-amado com a estrutura do amor. Aquele que experimenta a sensação de que alguma coisa lhe falta, mesmo não sabendo o que é, ocupa o lugar de sujeito do desejo (amante); aquele que sente que tem alguma coisa, mesmo não sabendo o que é, ocupa o lugar de objeto (amado). Segundo Jung, fundador e principal autor da corrente analítica o amor é entendido da seguinte forma:“O amor representa uma grande problemática para a evolução do homem, onde este, para dar-se conta desse processo necessita da relação com o outro, com o coletivo, mesmo sentindo que esse processo é algo do individual, quando não consegue perceber que ‘é muito da incapacidade de amar que roubam das pessoas as oportunidades (JUNG, on-line, 2005)”.
Jung completa: “Onde temos Amor, não temos Poder, e, onde temos Poder, não temos Amor” (JUNG, on-line, 2005).
No amor saudável é comum e esperado um comportamento recíproco de prestar atenção e cuidar do parceiro. Porém, quando esse comportamento se torna excessivo e o indivíduo passa a fixar atenção no amado mais do que gostaria, abandonando outras atividades e pessoas anteriormente valorizadas, quando o amor deixa de ser prazeroso e passa a restringir a possibilidade de viver sem amarras, está caracterizado o amor patológico, o Amor-Sofrimento.
Segundo a Classificação Tipológica de Myers Brigs, desenvolvida com base nas teorias sobre Tipos Psicológicos de Jung, temos que a personalidade do tipo INFP, que caracterizam pessoas idealistas, altruístas, dotadas de virtudes, otimismo, também identifica o tipo de pessoas que mais introvertem seus sofrimentos, que os escondem sob uma calma aparente, são pessoas que facilmente perdem sua energia quando percebem que não podem consertar tudo de errado no mundo, ou quando focam exclusivamente suas atenções e seu amor a um único ser ou causa, que não corresponde à suas expectativas. Se não forem cuidados, os INFPs podem se perder na busca do bem e negligenciar a rotina que a vida demanda. Deixados descontrolados, podem começar a perder o contato, retirando-se como eremitas, e custando muita energia de seus amigos e parceiros para trazê-los de volta para o mundo real. Estas são aquelas pessoas brilhantes que todos gostamos de admirar e detestamos vê-las sofrer em vão.
Mas na maioria dos casos, vemos pessoas de outros tipos de personalidades, introvertidas ou extrovertidas, que sofrem apenas por não verem atendidos seus caprichos, ou por não aceitarem que seus direitos terminam onde começam os direitos do outro, ou por não terem semeado no passado com a devida responsabilidade, ou ainda, por não quererem entender as leis naturais da vida. São pessoas que vivem na infância espiritual, que levam sua existência na incompreensão.
Jung propõe o seguinte questionamento: para quê sofremos?
Para a psicologia analítica, o sofrimento é um sintoma da alma. Nós não sofremos não só com fatores físicos, orgânicos. Sofremos principalmente com fatores emocionais.
Isso acontece porque os parâmetros de desejos mudaram. O homem desde suas origens passa a cultivar vírus emocionais que facultam outros degenerando seu estado de espírito. Passamos a abrir uma brecha às viroses emocionais.
Toda vez que meu ego é frustrado eu sofro. Agora o que é debatido é que o ego precisa ser frustrado para que eu amadureça. Portanto o sofrimento é a melhor terapia para o crescimento moral do indivíduo.
Sem o sofrimento não cresceríamos. E não cresceríamos por quê? O sofrimento é só uma consequência de uma causa muito maior. Então não existem vítimas. Somos todos responsáveis pelos nossos atos.
“O sofrimento precisa ser superado, e o único meio de superá-lo é suportando-o.” C.G. JUNG
De alguma maneira continuamos sofrendo pelas mesmas coisas, desejando sempre os mesmos objetivos, as mesmas amizades. E isso é procurar sofrer. Temos que nos acostumar a dizer não, dizer não ao ego que sempre procura agir como um garoto mimado e insolente.
NA VISÃO ESPÍRITA:
Temos ainda pesadas cargas de culpa por erros praticados nessa ou noutra vida, e que nos sentenciam a um pesar eterno, sofremos às vezes até sem saber por quê.
A “dor é uma benção que Deus envia aos seus eleitos”. É aguilhão, forja, fornalha, lapidaria, crisol e rútila. É agente de progresso, moeda luminosa, “lixívia que saneia e embranquece a alma enodoada pelos mais hediondos crimes”. É “agente de fixação, expondo-nos a verdadeira fisionomia moral”. É “valioso curso de aprimoramento para todos os aprendizes da escola humana”. É “o instrumento invisível que Deus utiliza para converter-nos, a pouco e pouco, em falenas de luz”. É “nossa companheira — lanterna acesa em escura noite — guiando-nos, de retorno, à Casa do Pai Celestial”. (Equipe Feb, 1995)
“O sofrimento é inerente ao estado de imperfeição, mas atenua-se com o progresso e desaparece quando o Espírito vence a matéria”. “O sofrimento é um meio poderoso de educação para as Almas, pois desenvolve a sensibilidade, que já é, por si mesma, um acréscimo de vida”. “O sofrimento é o misterioso operário que trabalha nas profundezas de nossa alma, e trabalha por nossa elevação”.
“Em todo o universo o sofrimento é sobretudo um meio educativo e purificador”. “O primeiro juiz enviado por Deus é o sofrimento, que procura despertar a consciência adormecida”. “É apelo à ascensão. Sem ele seria difícil acordar a consciência para a realidade superior. Aguilhão benéfico, o sofrimento evita-nos a precipitação nos despenhadeiros do mal, auxilia-nos a prosseguir entre as margens do caminho, mantendo-nos a correção necessária ao êxito do plano redentor”. (Equipe Feb,
1995)
Temos que admitir que na Terra todos sofremos. Sim, todos nós sofremos na Terra.
Este é um planeta de provações e de expiações. Isso não é bom, nem é ruim, é a condição evolutiva do planeta.
Desta maneira, temos dois caminhos: ou entendermos por que é que vivemos neste mundo e por que este mundo tem essas características ou desarvorarmo-nos ou nos perdermos na revolta.
Este segundo caminho é completamente inábil. Não nos serve, não nos levará a lugar algum que não seja o enlouquecimento maior. Resta-nos a primeira possibilidade: tratar de compreender porque nesse mundo se sofre tanto.
Ora, na medida que entendermos que esse é um mundo de provações e de expiações fica claro porque todos sofremos, de uma maneira ou de outra.
Proviemos de outras existências onde essas coisas foram realizadas e Cristo afirmou que não sairíamos daqui até pagarmos o último quadrante, a última moeda, para usar uma linguagem figurada do mundo.
Temos que convir que há um caminho importantíssimo a trilharmos, que é o da compreensão.
Na medida em que sabemos disso, encaramos melhor as dores do mundo, as dores da Terra, com uma virtude que se chama resignação.
A resignação, de maneira alguma, será acomodação. Não temos que cruzar os braços porque sofremos ou diante das dores e deixar que Deus resolva.
Se estamos desempregados, temos que correr atrás do trabalho. Se estamos enfermos, temos que buscar a medicina, a medicação, o tratamento. Se temos qualquer problema neste mundo, neste mundo teremos que resolvê-lo.
Mas a resignação não é sinônimo de acomodação, vale repetir, a resignação é o olhar que temos para esses fenômenos, é a maneira como vemos esses fenômenos.
Se não fosse a resignação, entraríamos na rota do desespero, entraríamos no circuito da desolação porque, quando não compreendemos porque sofremos, sofremos duas vezes.
A primeira vez pelo sofrimento em si, a segunda vez pela ignorância a respeito dele.
Segundo Joanna de Angelis, “O homem vive na Terra sob a ação de medos: da doença, da pobreza, da solidão, do desamor, do insucesso, da morte.”
“Essa conduta é resultado de seu despreparo para os fenômenos normais da existência, que deve encarar como processo da evolução.”
“Herdeiro da própria consciência é também legatário dos atavismos sociais, dos hábitos enfermos, entre os quais se destacam esses pavores que resultam das superstições, desinformações e ilusões ancestrais, formando os condicionamentos perturbadores.”
“Absorvendo e impregnando-se desses fatores negativos, os sofrimentos apresentam-se lhe inevitáveis, produzindo distúrbios psicológicos, mentais e físicos por somatização automática.”
E assim acabam gerando o Sofrimento do sofrimento…
Os Homens sofrem para resgatar seus débitos e realizar aprendizagens no campo moral.
O sofrimento humano foi criado pelo Homem devido ao mau uso de seu livre-arbítrio, de suas irresponsabilidades, de suas paixões, de suas más tendências.
Deus não criou o sofrimento, Ele criou o Amor! Ele nos mantém por seu amor. E esse Amor Divino nos leva em direção a Ele, ao nosso caminho evolutivo.
Mas é nosso papel como cristãos, como pessoas dignas, como educadores, como cientistas ou como religiosos de todas as crenças, tudo fazer para compreender e aliviar o sofrimento da humanidade, colocar o irmão que sofre, de volta à autocura e promover sua libertação!
Cada um de nós pode contribuir para um mundo melhor, e também para o seu processo de autocura e libertação. Podemos fazer isso, sozinhos; apenas com determinação e fé, ou podemos contar com auxílio e orientação especializada.
Bem, até aqui, entendemos o que é o Sofrimento e porque as pessoas sofrem.
No próximo artigo iremos aprender como iniciar o processo de Autocura e Libertação. Espero você lá…
“A Cada dia que vivo mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do SOFRIMENTO, perdemos também a felicidade”.(Carlos Drummond de Andrade)
***
Um trecho da música do Grupo Acorde — “ANJOS”
Um dia todos nós seremos anjos / Vamos trabalhar e acreditar
E no futuro nós seremos anjos / No planeta onde o amor,
Unicamente o amor há de reinar / (E assim será)
A felicidade só começa / Quando cessam as desigualdades
Quando todos compartilham sonhos /E não usam mal a liberdade…
----
Fontes:
https://psicologado.com/abordagens/psicanalise/amor-patologico-o-amor-no-banco-dos-reus© Psicologado.com;
Amor patológico — Um novo transtorno psiquiátrico (2007) — Eglacy C. Sophia;
Programa Vida e Valores, de número 172, apresentado por Raul Teixeira — 15.11.2009
Evangelho Segundo o Espiritismo
Análise dos Sofrimentos — 02 Capítulo do livro Plenitude de Joanna de Ângelis
Espero que tenham gostado, se gostaram não se esqueçam de curtir a página e a publicação para ajudar na divulgação do trabalho. Obrigado.
Nos Acompanhe também pelo Facebook :
https://www.facebook.com/hollusnucleoterapeutico/